sexta-feira, 21 de março de 2014

Frase da Semana (corporate life edition):




Daí o trader vira para o estagiário, no meio do pregão, e solta:  

"CALA A BOCA ANIMAL, SE NÃO SABE, NÃO INVENTA! VOCÊ TÁ MAIS PERDIDO QUE O AVIÃO DA MALASYA!!!!"

Sem mais,

The Turtle

sexta-feira, 7 de março de 2014

O Fim, O Começo e O Meio....

Yea, though I walk through the valley of the shadow of death, I will fear no evil: for Thou art with me; Thy rod and Thy staff they comfort me.~ Psalm 23:4 ~



O Fim.... sim, chegamos ao fim.  Depois de 2 anos e 40 dias volto a trabalhar.  Digo isso sabendo que nestes dois anos eu trabalhei, sim, mas de um jeito diferente.  Trabalhei em coisas de interesse pessoal, aprendi a operar, a cuidar do meu dinheiro, a viver com menos dinheiro, a dar menos importância ao que eu achava importante e me importar mais com o que eu tinha como certo.  Eu não quero mais a última Canon, o último relógio de mergulho, meu Tag Heuer está na gaveta, guardado.  Eu vivo de calça jeans e camiseta, com um terço do dinheiro que eu gastava antigamente e muito mais feliz.  Dou valor ao aprendizado e às pessoas, que sempre achei um tanto quanto.... enfim, vamos parar por aqui.  Em compensação, vejo a grama com um significado diferente, o tempo como um ativo precioso e o saldo na conta apenas como um facilitador de coisas que podem acontecer.  Estou quase completo, quem está 100%?  Acho difícil, mas esta lacuna nos mantem vivos, famintos e ambiciosos.

O Começo...  volto para a casa que me solidificou como profissional, em uma posição completamente nova que irá exigir estudo e paciência, muito esforço interpessoal e, por que não, mais paciência (sim, estou me repetindo.  É isso mesmo, são duas doses).

O Meio... difícil descrever tudo.  O sabático veio planejado mas também de supetão.  Teve a fase da ilusão maravilhosa, do não precisar de ninguém.  Da raiva, do "in your face" com o projeto em que estava, as fases depressivas, os ups and downs.  Teve a fase de consultoria, tiveram as viagens (ski nos USA, história na Turquia, tubarões infinitos na Costa Rica, trabalho familiar na Asia, mergulhos em Turks & Caicos e Belize, Boston & NYC...) e a incrível experiência de estar sentado ao lado de dois dos grandes traders do mercado financeiro brasileiro.  O aprendizado, os calls que deram certo e os que deram errado.  O grande trade do Dolar/Real em 2013 e o de Café Arabica no começo de 2014.  A experiência de quase morte do Episódio Guarujá.  As perdas pessoais e familiares.  A ajuda aos pais, e a ajuda dos pais.  120 partidas de golfe, aproximadamente.  O handicap caiu de 25.3 para 18.5, mais de 25% de melhora.  A coragem de dar passos largos, e o aprendizado de que ser empresário neste país é, infelizmente, um risco inconsistente com os ganhos.

Eu mudei.  Eu estava doente, já falei sobre isso... seja física ou psicologicamente, eu precisava de uma ruptura de vida.  As dores nas costas foram embora.  A ansiedade, o medo de não realizar, o medo de não ter salário, o medo de não ter carreira.  Vi meus amigos subirem.  Vi pessoas mais novas me ultrapassarem.  Estão todos de parabéns, fico feliz e de maneira nenhuma me arrpendo.  Faz parte do jogo.  O que aprendi não é mensurado em dinheiro, cargos, poder ou áreas de influência. O que aprendi é interno, não tem tamanho, não tem massa... e não foi, ainda, colocado em prática.

Chegamos então ao desafio.  Viver a vida corporativa de outro jeito.  De uma maneira mais leve, porém não menos produtiva.  Um tom abaixo, como um roqueiro envelhecido, mas mais experiênte.  Bono aprendeu a levar Sunday Bloody Sunday de outro jeito, Axl leva Sweet Child em outra escala, em outro tom.

As armadilhas estarão lá.  Esperando para te trazer de volta, como uma droga que faz mal mas faz bem.  Means to an end, não posso me esquecer.

Foi um caminho com curvas... um caminho com altos e baixos... um caminho que exigiu coragem e me fez questionar as escolhas feitas.  E, olhando para trás, para baixo, para o vale, só posso agradecer a tudo e todos que me fizeram passar pelas provações, pelos desafios, pelo stress e até os que diretamente me fizeram mal.

Obrigado a todos.

The Turtle, 2.0





sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Preguiça, a Vergonha e o novo ano....

Muito bem.... tendo mais de 10% do ano decorrido, decidi que é hora de outro post. Logo, segue uma breve recapitulação:

"...Previously on Na Vida a Passeio..."

2014 começou no exterior, terra civilizada porém congelada.  Museus, jatos de combate, compras acima do limite do cartão de crédito... enfim, típicos brazileiros sacoleiros passando tempo acima da linha do equador.

Lá pelo dia 15 de janeiro voltei ao batente. Sala nova, mais espaço, passei a olhar o mercado com mais cuidado.  Além disso, as entrevistas estavam sendo retomadas.  A vida começou, lentamente, a andar (neste ano em que NADA, absolutamente nada irá se mover a passos decentes).

Fiz poucos trades em Janeiro, fechei positivo.  Em Fevereiro aumentei a mão mas, até agora, estou no zero a zero.  É uma no prego, outra na tábua.

Sinceramente, meu sentimento é que estamos caminhando para uma situação perigosa.  Ninguém respeita a polícia, o estado está mamando na teta do tesouro como nunca antes, estamos entrando em um regime de Stagflação e esse ano será, na melhor das hipóteses, perdido.



Minhas previsões:

 - Dolar fecha o ano entre R$ 2.65 e 2.90

 - Bolsa fecha o ano a 60.000 pontos

 - Petro vai outperform

 - Dilma perde a eleição, PT tenta melar o processo (ou mete a mão na urna eletrônica)

 - Mais protestos, violentos, contra governo, copa, aumento de preços

 - População começa a reagir à violência, irá pedir a revogação do processo do desarmamento, atropelar assaltante e amarrar mais trombadinhas em poste.

Eu desejo mesmo é voltar ao trabalho carreirístico, tocar minha vida e construir uma casa.

E, depois, retomar meu projeto de World Domination!!!

Viva o Capital, Abaixo aos comunistas!

The Turtle

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A Long December...


"A long december and there's reason to believe, maybe this year will be better than the last..." 


2013... fim... foi bom? Ruim?

O ano que passou foi um ano de provações, desafios e aprendizado.  Foi um ano onde voltei à realidade, mesmo ainda estando em período sabático.  

Começou com um problema de saúde, misturado com perdas financeiras no mercado futuro.  A moral caiu, e com ela o espírito.  Lá por abril/maio consegui um "freela" de consultoria, e por 3 meses e pouco me dediquei a um projeto novo.  Cobri as perdas, ou ao menos parte delas, e peguei o gosto pela vida corporativa novamente. 

Em julho eu já estava bem animado, com um projeto novo (pessoal) de real estate na cabeça.  No dia seguinte ao qual tomei a decisão de investir, em um assalto bizarro, quase perdi meu irmão, um amigo e a minha própria vida.  Desisti de tudo e resolvi ir embora do Brazil, país do nunca chega.

Tive finalmente a confirmação de estar novamente saudável, só para tomar outro baque logo depois.  Um grande sentimento de perda atingiu a família, mas superamos.  

No 2o semestre voltei, ou melhor, resolvi voltar ao mercado financeiro.  Passei, e continuo passando, por algumas baterias de entrevistas em diversas instituições, mas o mercado continua fraco.  Também no 2o semestre, minha operação no mercado futuro virou para cima e passei a ganhar dinheiro.  Me juntei a outros dois traders e juntos alugamos uma sala para melhor dividir as ideias e discussões de mercado.  Dinheiro bem investido, já que só de experiência ali tem muito mais de 30 anos de mercado.

Em 2013 também viajei muito.... Turks & Caicos, Belize (as duas para mergulhar), Estados Unidos duas vezes.  O dinheiro mais bem gasto no mundo, aprendi finalmente, é em experiências.

Meu jogo de golfe progrediu.  Minha psicologia também, e me dei alta da terapia por um tempo.  Este foi outro dinheiro muito bem gasto. 

Errei no meu assessment de mercado.  Achei que o IBOV iria subir, o dólar ficar estável e o S&P500 cair.  Foi tudo ao contrário, mas isso é normal.  O grande erro mesmo foi ter demorado tanto para virar a mão.  Mudei meu jeito de operar, saí um pouco do trend following e passei ao day trade de dólar futuro.  Fiz dinheiro.  Aprendi a operar maior.  Evitei, porém, a alavancagem.  Esse tempo ainda ira chegar.

Depois de muito pensar, resolvi que o projeto de RE vai sair.  Vai ser divertido, trabalhoso e custar caro.  Mas vamos em frente.

Vez ou outra tirei a guitarra do armário.  Vendi o equipamento de foto-sub. Troquei de carro.  Remoí velhos estigmas e frustrações.  Me apavorei.  Me diverti.  Briguei e fiz as pazes.  Cozinhei, e depois abandonei a cozinha.  Ainda não fiz um hole in one, mas fiz um eagle no 17 do Guarapiranga.

Muita coisa aconteceu em 2013.  Não foi o melhor dos anos, mas está longe de ser o pior.  O ano termina melhor do que começou, eu estou vivo e feliz.  

2014? Bora lá...

The Turtle

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A time to fight, a time to run...


Algumas vezes, na vida, temos que deixar as coisas passarem para não ter um problema maior.  Temos que nos desapegar de pessoas, de familiares, de sociedades, empregos, casamento... seja o que for, após ter feito o possível para salvar o que se quer salvo, temos que assumir que a energia para tal empreitada está sendo mal utilizada.

Eu já passei por isso algumas vezes.  Nunca me arrependi.  Quando deixei o afeto infantil para trás, não sabia que um dia voltaria a tê-la, muito mais próxima e permanente.  Quando deixei um emprego no banco americano, para me juntar a um novo projeto, foi difícil deixar a segurança mas foi recompensador.  E quando deixei o projeto, onde era sócio, para ir para casa cuidar de mim, custei a entender (mas pelo menos aprendi de vez) que não se pode salvar o que não deve ser salvo.

Desta vez, o problema é uma amizade que surgiu a tempos atras mas se depreciou.  As boas conversas viraram discussões intermináveis.  Não há mais momentos bons, apenas disputa.  Eu, obviamente, tenho culpa no cartório.  Nunca seria estúpido o suficiente para me achar 100% certo.  Mas sei que, da maneira como a situação está sendo abordada, só vai piorar.

Espero que o afastamento de agora gere frutos no futuro.  Temos que estar prontos para o que vier, mas pelo menos podemos esperar pelo melhor resultado.

The Turtle

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Novembro pagou! E outros comentários esporádicos...

 - Mais um mês de bons resultados, trazendo meu 2o semestre para quase 8% de ganhos.  Pena que, no ano, ainda estou 12% negativos, mas isso faz parte do jogo.

 - O mercado de trabalho está soft, muitas entrevistas mas poucas chances de finalização.  Estou vendo muita gente desistindo do bonus e indo tirar sabático.  Minha antiga empresa é, provavelmente, a maior fábrica de sabatiqueiros de São Paulo, mas não só de lá saem os novos bons vivants.

 - A maioria das tesourarias está perdendo dinheiro.  Isso não faz minhas perdas menos dolorosas, mas pelo menos eu não estou no buraco sozinho.  Weird feeling, pois não me parece certo.

 - O Brasil está chegando, aparentemente, num ponto de ruptura:  não há crescimento, há um escandalo atrás do outro, governo tentando confiscar obras de arte, bens offshore, aumentando impostos e ferrando o pequeno empresário.  O dolar disparando, a bolsa nao passa da casa dos 50.000 pontos, o superavit é maquiado, a Petrobras está em estado lastimável, ninguém quer os projetos de infraestrutura, e a copa vem aí e não estamos nem perto de estarmos em condições de receber o mundo.  O morro está descendo e assaltando na cara dura.  E o exército vai mandar 1500 soldados para cada sede dos jogos para, aparentemente, controlar os manifestantes!  Isso me parece errado, afinal eles deveriam estar mesmo é passando chumbo nos criminosos.


 - O PT está doido para derrubar o PSDB e o resto da oposição.  Inventam dossiês (já vimos isso na época dos aloprados), faz populismo, luta contra a maior corte jurídica do Brazil. O Lula está em campanha e falou em um almoço com banqueiros (isso vem da boca pequena) que se o país for rebaixado ou se a Dona Dilma cair abaixo dos 35% ele volta automaticamente como candidato.  Será?

 - Eu vou torcer contra o Brazil na copa.  Sinceramente, quero que percam na 1a fase.  Não me pergunte porquê, eu não lhe devo explicações.

Vai dolar!!

The Turtle

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Humor galáctico, mas perigoso...


Esquecer é o melhor remédio!

Dia de Payroll, dia de volatilidade, dia daqueles mais interessantes.  Estava eu posicionado long em dolar futuro, e veio o número.  BOMBA pra cima!

Candle de macho no dolar futuro - viva o Ben Bernake Kenobi

O candle foi lindo.  Um dos mais belos que já vi.  O P&L foi de zero e muito em 10 minutos, e isso porque eu ainda fui conservador.

E eis que, durante a tarde, querendo mais e depois de uma consolidação relativamente grande, eu entreguei quase 70% dos ganhos.  Só não entreguei mais pois stopei e fui embora.

Mas e aí? O que aprendi?

Primeiro, esse é um trabalho interessantíssimo mas, no jargão popular, um trabalho de corno!  Mesmo tendo ganho dinheiro bom no dia, fui embora com aquele sentimento de ter encontrado o Alexandre Frota pelado na frente.

Segundo, que quando acertamos grandes precisamos respirar.  É como no golfe:  após uma bela tacada vem sempre uma imensa cagada.

Terceiro, NÃO ALONGUE SEUS STOPS!

E, mais importante de tudo, depois de se remoer, chutar latas pela rua (We Will Rock You!) e se sentir um bosta, esqueça.  No sábado, eu já estava bem e passando raiva por outra coisa (o golfe, meu nêmesis).

The Turtle

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Change


Hoje aprendi mais uma coisa.... aprendi um novo modo de olhar para dentro.  Em uma entrevista que tive, em uma empresa que já trabalhei, foi-me dito claramente pelo interlocutor que o maior receio de me levar de volta é que eu ainda seja a mesma pessoa que saiu estressada e frita 5 anos antes.

Interessante...

7 anos de empresa, muita coisa feita, nunca sem entregar um deliverable ou perder um deadline.  Mas nem sempre da maneira correta, nem sempre usando as vias mais suaves.  Muita truculência.  E é exatamente essa a marca que fica, pois o trabalho todos fazem (ou são demitidos), mas a maneira de fazer é que deixa uma marca positiva ou negativa.

O primeiro impacto da percepção é estranho, mas rapidamente, estando com a cabeça clara, vem como racioncínio que é exatamente correto o modo de pensar das pessoas.  O que falta é perceber, internamente, que realmente o período de start up e o período de sabático serviram justamente para mostrar que o envolvimento com intrigas, políticagem interna e a tentativa de controlar coisas que não necessariamente estão sob nosso controle somente drena energias boas que poderiam ser usadas para outras coisas.

E mais, que encarar a dissolução dessa imagem, através de esforço e agindo da maneira correta, é mais eficiente do que prometer ou dizer que se mudou.

A mudança pode ser interna, mas a percepção da mudança é o espelho das novas atitudes.

Keep Calm and Carry The Piano Upstairs

The Turtle