Sobre a intersecção da vida no mercado financeiro, trading, golfe, filmes, música boa, histórias bizarras e alguma dose de bom humor, quando disponível. Mas, principalmente, mau humor...
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Desapego, reconhecimento e a habilidade de mudar de opinião
Quase 45 dias de consultoria, e me bateu um "momento Eureka"... um daqueles momentos onde a névoa some e, rapidamente, entendemos algo que ninguém pode explicar.
Quando meu sabático começou, meu maior discurso era que "...eu nunca mais iria trabalhar para ninguem...". Queria depender só de mim, ficar rico sem salário, viajar o mundo sem me preocupar com o cronograma de férias de outras pessoas, etc. E assim se passou o último ano.
Pois bem... e mercado foi ótimo (para minha carteira pelo menos) no ano passado. Viajei. Fiz o que bem entendia. Almoçava com amigos, de terno, em jeans e camiseta, despertando a inveja de todos. E enquanto isso ia conquistando o mundo e fazendo planos.
Mas...
O mercado virou. Alguns projetos não vingaram, outros atrasaram, a burocracia me tirou a paciência. Fico pensando em quantos possíveis empresários o país perde por conta da burocracia. Vide meu post anterior...
Trabalhei duro nas ultimas semanas, entrevistei muita gente, levantei problemas, criei apresentações e desenferrujei as habilidades corporativas, planilhas, etc. E percebi que estava gostando, lembrando de um tempo onde eu era feliz trabalhando, mas não sabia o porque. Fiquei pensando nisso, onde foi que eu comecei a detestar o trabalho e as corporações... e percebi que nada tem a ver com as empresas em sim, mas sim com que tipo de PESSOAS eu estou lidando.
Na última empresa, que era para ser meu projeto de vida mas acabou sendo uma grande decepção, a guerra de egos, puxa-saquismo, síndrome do sangue azul e megalomania foram as chaves para que eu fritasse. Apesar de muita gente inteligente na empresa, essa inteligência, a despeito dos planos iniciais do Alfa Banker, não foram canalizadas corretamente. Deu no que deu, diga-se de passagem.
Foi então que os manda chuvas da empresa que estou trabalhando hoje me chamaram para um bate papo sincero, elogiando o trabalho feito, a visão independente, a qualidade do que foi entregue e estenderam o projeto para mais 2 fases. Além disso, me ofereceram emprego (que por hora não aceitei) e me pediram ajuda em outros pontos fora do escopo. E sim, isso me fez perceber que, se o clima da empresa pode nos levar para frente ou nos fazer empacar, quem faz o clima são as pessoas.
Só isso, sem contar o retorno financeiro, já fez esse trabalho pontual valer a pena. Agora é tocar a vida. Let's get back to work, baby!!!
The Turtle
quarta-feira, 24 de abril de 2013
A Insana Estrutura Jurídica do Brasil
Estou trabalhando com Consultoria. Meu produto é meu tempo e meu esforço. Mas há um problema, e que pelo que estou percebendo é um problema para todos:
1. Burocracia
Burocracia é um conceito administrativo amplamente usado, caracterizado principalmente por um sistema hierárquico, com alta divisão de responsabilidade, onde seus membros executam invariavelmente regras e procedimentos padrões, como engrenagens de uma máquina.
É também usado com sentido pejorativo, significando uma administração com muitas divisões, regras e procedimentos redundantes, desnecessárias ao funcionamento do sistema.
A estrutura brasileira exige um esforço herculano de paciência e dinheiro para navegar através de repartições e cartórios para se abrir uma empresa. Algo em torno de 60 dias, além dos custos. E uma vez aberta, a empresa leva de 2 a 5 anos para ser fechada. Incrível!
Depois o governo fica reclamando de informalidade. Minhas sugestões, a serem implementadas amanhã:
- Extinguir todos os cartórios. O governo deve ter um sistema único de documentação. Eliminar autenticações de assinatura, taxas de registro de imóveis, etc.
- Criar uma base unificada de dados, certidões e cadastro positivo, não só de pessoas físicas mas também de pessoas jurídicas;
- SIMPLIFICAR A VIDA DAS PESSOAS. Se um profissional liberal quister emitir NF-e, permitir que o mesmo o faça em seu próprio CPF.
- Criar uma guia única de recolhimento de impostos. Você entra na internet, informa seu CPF e o valor da nota, o sistema calcula os impostos unificadamente e emite uma GRU.
Não sou contra pagar impostos. Mas temos que admitir que estes custos periféricos são exatamente o que acabam com a competitividade de nosso país, com a paciência de seus cidadãos e com a geração de empregos.
Até que se resolva isso, eu não irei gerar um só emprego formal. Nenhum. Todo o meu capital ficará aplicado, sem benefício nenhum para a sociedade.
Revoltado,
The Turtle
terça-feira, 23 de abril de 2013
Direto da Fonte (ou "Meu dia de Sônia Racy")
Whooo do you looove, Whooo do you love???
Consta, de fonte fidedigna, que após perder mais uma peça chave de seu staff uma notória butique de investimentos de São Paulo chamou uma reunião interna neste sábado para discutir "assuntos diversos de interesse de seus sócios".
A saber...
ATUALIZAÇÃO: aparentemente a quantidade de sócios convidada para a reunião foi menor do que a esperada, dado que alguns não foram chamados (como diria George Orwell: "todos iguais, mas uns mais iguais que os outros") e alguns foram demitidos um dia antes. E não foi gente pequena não...
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Pequenos Passos, Longas Jornadas
"Once upon a time, in a hole in the ground there lived a Hobbit..." (Bilbo Baggins / J.R.R Token)
Minha busca pelo que fazer, para onde ir e que caminho tomar continua. Despertei este ano após algumas perdas em trading, e me dei conta que confiar em somente uma coisa seria muito angustiante nos maus momentos.
Foi então que, pontualmente, peguei um projeto de consultoria. O que era para durar um mês acaba de tomar uma "forma expandida", digamos, e vai um pouco mais longe.
A experiência de olhar uma empresa pelo lado de fora, sem chefes, sem agendas ou problemas acumulados tem sido uma tarefa enriquecedora. Vai muito além de seus números, processos ou cultura... É uma complexa conjunção de fatores que a moldam e definem seu rumo.
Além disso, o que estou aprendendo com essa situação é que um pequeno passo (neste caso assumir um pequeno projeto) pode ser o inicio de uma grande jornada. Pode ser que isso não leve a muito mais, e que seja apenas um paliativo financeiro enquanto o mercado não vira para melhor. Porém, talvez a coisa tome, memo sem que eu saiba neste momento, uma dimensão maior e renda frutos muito além de uma única tarefa. E as grandes jornadas, as mais interessantes e desafiadoras, são aquelas que nào planejamos, e nem sabemos que iríamos fazer.
Posição atual: 100% cash
The Turtle
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Quem pode errar?
Cenário: Sala de Reunião de proeminente butique financeira de Sampa, na Faria Lima (óbvio).
Personagens: Socialite, Alfa Banker, Advogado Puxa-Saco, Oompa Loompa, moscas e ratos (sim, o escritório era infestado de moscas e ratos).
Contexto: Fechamento de ano e época de bônus, em empresa que dividia seus dividendos aos "Sócios" (sim, entre parênteses, dado que quase todos eram funcionários de luxo). Reunião tensa devido a falta de dividendos a distribuir.
Foi nesse encontro de cabeças pensantes (?!) que comecei a perceber o tamanho da roubada em que me encontrava. Que a batalha era montanha acima, e que não havia prêmio no fim da jornada. A situação do "Cale a boca e faça o que eu mando" imperava. Um desses clássicos momentos onde você percebe que a promessa de que "todos vão ficar ricos, vamos cuidar de todo mundo" é uma grande baboseira. Que quando o dinheiro é escasso, os gatos gordos aparecem e a maioria passa fome.
Nunca acredite nisso. Quem gosta do seu dinheiro é VOCÊ, ninguém mais. E não deu outra, o mercado virou, o dinheiro ralou e a galera... ahhh, a galera RODOU!!! Seja a saída uma escolha (geralmente após as promessas caírem por água) ou uma imposição (imagina você ser demitido de uma empresa que ajudou a criar), a verdade é que a galera, literalmente, RODOU!!
E, como cereja no bolo, a tal da socialite me solta a famosa FRASE MARCANTE::
"Nós não podemos errar. O banco pode errar, a mesa de operações pode errar, todo mundo pode errar... mas você não pode errar!!!"
Lembre-se: não seja uma peça de xadrez, principalmente com gente que não consegue impor justiça em uma situação sob a qual deveria ter controle.
E segue a vida... o mundo gira e a Lusitana Roda!!
The Turtle
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Filmes Sobre o Mercado Financeiro
Desde o início dos anos 80, quando ficou evidente que a profissão de trader era o equivalente financeiro de ser um rock star, Hollywood se jogou no assunto e produziu uma extensa gama de títulos mostrando desde os excessos da era de ouro do mercado até os maiores escandalos e fraudes que já existiram. Seja no formato de ficção, seja como documentário, segue abaixo uma lista sem ordem nenhuma do que considero os títulos mais importantes:
“Boiler Room” (2000)
“Trading Places” (1983)
“Barbarians at the Gate" (1993)
“Enron: The Smartest Guys In The Room” (2005)
“The Pursuit of Happyness” (2006)
“Other People’s Money” (1991)
“Rogue Trader” (1999)
“Inside Job” (2010)
“Trader” (1987)
“Wall Street” (1987)
“Wall Street - Money Never Sleeps” (2010)
"Margin Call" (2011)
"Arbitrage" (2012)
"Broke" (2009)
"Too Big To Fail" (2011)
"The Bonfire of the Vanities" (1990)
Segue um trecho do clássico Wall Street:
“Boiler Room” (2000)
“Trading Places” (1983)
“Barbarians at the Gate" (1993)
“Enron: The Smartest Guys In The Room” (2005)
“The Pursuit of Happyness” (2006)
“Other People’s Money” (1991)
“Rogue Trader” (1999)
“Inside Job” (2010)
“Trader” (1987)
“Wall Street” (1987)
“Wall Street - Money Never Sleeps” (2010)
"Margin Call" (2011)
"Arbitrage" (2012)
"Broke" (2009)
"Too Big To Fail" (2011)
"The Bonfire of the Vanities" (1990)
Segue um trecho do clássico Wall Street:
The Turtle
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Don't Fight the Tape
A frase do título deste post é um mantra recorrente em trading. Eu mencionei nem um dos meus posts anteriores (Para onde vai o mercado?) que acho que a situação do Brasil é péssima, nosso governo é fraco, e que a conta de nossa nossa infraestrutura precária vai chegar. Não acho que esse desenvolvimento centrado em crédito vai nos levar muito longe. Está aí o ridículo PIB do Sr. Mantega para provar...
Lá fora, acho que os ativos estão sobre-vendidos. Não acho que há uma crise, mas estou esperando uma correção de uns 15-20%.
E meu dinheiro estava, até esta semana, nestas duas apostas. Vendido em IBOV, vendido em SP500.
Porém, eu não sei de nada... tenho minhas opiniões, mas também tenho a coisa mais importante no meu setup: um bom controle de riscos, e pontos de stop loss muito bem definidos. Fui "estopado" nos dois trades e saí.
Não vou brigar com o gráfico. Vou esperar. Manter a calma e manter o olho no sistema até que alguma outra boa oportunidade chegue. O mercado não está bom para trend followers no Brasil (e lá fora eu decidi ir contra a tendência).
Fica a dica: DON´T FIGHT THE TAPE
Até a próxima...
The Turtle
segunda-feira, 8 de abril de 2013
Moneyou - Colaboração e Independência
Durante minha vida no mercado financeiro eu cultivei amigos e desafetos. A maioria destes desafetos simplesmente sumiu, meio que através de uma "válvula de descarga" sensorial que nos poupa de conviver com pessoas desagradáveis. Porém, os amigos ficam, mesmo que sem se falar durante algum tempo. E são estes bons contatos que um dia voltam para gerar oportunidades pessoais ou profissionais, seja para colaborar ou fazer barulho.
Eis que, da pilha de escombros fumegantes de instituição que pendurou a placa Going Out of Business, surge um novo projeto de meu amigo Jason Vieira: MONEYOU:
Eis que, da pilha de escombros fumegantes de instituição que pendurou a placa Going Out of Business, surge um novo projeto de meu amigo Jason Vieira: MONEYOU:
Por alguma razão aparente, Mr. Vieira gostou de alguns textos deste humilde blog e convidou o THE TURTLE para contribuir com algum material.
Logo mais, alguns dos textos deste espaço serão lá publicados, e produziremos material exclusivo para este projeto.
Me sinto honrado! Obrigado J.V.!
The Turtle
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Compliance e a Inerente Inutilidade do Ser
Um dos meus bloggers favoritos, @ReformedBroker (a.k.a Josh Brown) tem um post interessantíssimo sobre a inutilidade do Compliance em algumas firmas.
Wall Street's Original Sin
Reflita... eu vi EXATAMENTE isso acontecer, e meus colegas "Risk" e "Picachu" estão na primeira fila do gargarejo.
The Turtle
terça-feira, 2 de abril de 2013
Respeitando Limites
-10%!
Este era o limite imposto para o ano, onde minha auto-imposta regra dita que eu devo parar, observar e não operar durante 15-30 dias. Existe, obviamente, a possibilidade de eu perder uma grande tendência neste período, mas limites são impostos e se não os respeitarmos então de que vale nosso risk management?
Apenas uma posição em aberto resta. Vendido em Indice, posição pequena com stop muito cuirto que quase foi atingido no recente repique do Ibovespa. Voltou, mas ainda assim perto do 0x0.
Enquanto isso a vida segue... cabeça fria, posição cash!
The Turtle
Assinar:
Postagens (Atom)








